Para contextualizar: como acontece todo semestre aqui na PUC, tivemos uma disciplina intensiva (duração de 5 encontros) com um professor de fora. Quem veio, desta vez, foi a Profa. Friederike Rese, formada em Freiburg, assistente de G. Figal e, atualmente, profa. em Berkeley. No seminário, ela abordou a relação entre experiência e linguagem, percorrendo Aristóteles, Husserl, Heidegger, Gadamer, Nietzsche e Ricoeur (maiores informações aqui). Foi este o tema, pois a sua tese de habilitação [Habilitationsschrift] é sobre o conceito de experiência e sobre as condições de possibilidade desta. Junto com ela, no entanto, apareceu o Thiemo, um doutorando de Freiburg, que já estava em Porto Alegre há algum tempo e que fui conhecendo durante as aulas e nas cervejadas que fazíamos na Cidade Baixa depois das aulas.
Apresentando: Thiemo é um daqueles caras que não conseguem ficar parados apenas no prédio da filosofia. Ele realizou mestrado em Freiburg e Cambridge, dialogando com ciências cognitivas, antropologia histórica, etnologia e filosofia da psicologia. O resultado foi este livro, On the topology of cultural memory: different modalities of inscription and transmission, lançado em 2005 e que trata, segundo a introdução do referido livro, da memória como um objeto de estudo e, ao mesmo tempo, como uma ferramenta heurística para analisar desenvolvimentos históricos e epistêmicos. É uma tentativa de entender a memória através da antropologia e da psicologia.
Atualmente, sob a orientação de Hans-Helmuth Gander, Thiemo está fazendo doutorado sobre os conceitos husserlianos de intencionalidade [Intentionalität] e atencionalidade [Attentionalität], a partir de pesquisas da fenomenologia, hermenêutica, filosofia da mente, psicologia e antropologia. Uma parte desse trabalho foi o tema de uma palestra sua dada aqui na PUC.
Thiemo também é pesquisador dos Arquivos Husserl em Freiburg e, ainda, já possui uma editora própria, a Breyer Verlag, que promove temáticas interdisciplinares.
Por que Thiemo veio ao Brasil? Eu também fiquei curioso para saber sobre isso e lhe perguntei. A sua resposta foi: “Bom, um dia eu estava andando com meu orientador e ele me perguntou: ‘Thiemo, você gostaria de ir ao Brasil, temos uma bolsa?’. ‘Sim, pode ser’, eu respondi. E foi assim, meio no improviso, na espontaneidade”. Então, ele veio parar em uma casa na Rua Santa Cecília, por dois meses, onde ninguém falava inglês, espanhol ou algo do tipo, mas eram gremistas fanáticos. O que foi bom, pois no fim ele já sabia, pelo menos, entender bem e falar algo em português e, ainda, o que significava sofrer no futebol (: P).
Fizemos a entrevista aí pelo dia 28.11., no Restaurante Damask, depois de comermos falafel cheio de tahine, homus, pasta de alho, coalhada, tabule, … (A/C inveja do Fabrício). Conversamos sobre: seus projetos de estudo; a relação entre filosofia (fenomenologia) e ciências (principalmente, psicologia); Husserl e as influências e interpretações contemporâneas; a noção de intencionalidade; antropologia filosófica; memória cultural e história da filosofia e a relação destas últimas com ética.
Espero que todos possam aproveitar!!