Hoje, às 8:30min, começou o Colóquio Fenomenologia do Conhecimento e Antropologia Filosófica em homenagem aos 80 anos de Ser e tempo, na PUC-RS.
Aberto com a apresentação do texto “Possibilidade existencial – Ser e tempo e o princípio da plenitude”, de Robson Ramos Reis, o Colóquio iniciou repleto de boas provocações. Segundo Robson, e pelo que entendi, o princípio de plenitude consiste no fato de toda a efetiva possibilidade necessariamente ter que se atualizar. Ou seja, seu critério é retrospectivo. Robson explanou rapidamente como esse princípio aparece na tradição, especialmente no que diz respeito às modalidades. A partir daí ele mostra a possível ruptura de Heidegger, em Ser e tempo, com este princípio, propondo uma nova modalidade, a modalidade existencial, com o princípio de não-plenitude e de critério prospectivo. Em outras palavras, a ruptura de Heidegger com a tradição metafísica desde uma outra perspectiva.
Em seguida, Paulo Rudi Schneider apresentou trabalho sobre o parágrafo 34 de Ser e tempo, enfatizando a questão da linguagem. Todavia, como bem diz Zafranski em sua biografia intelectual sobre Heidegger, o Dasein é como uma colônia de algas: quando puxamos de um lado, trazemos na mão muito mais do que o originalmente pretendido. Assim, a apresentação de Schneider abordou diversas outras passagens de Ser e tempo, no entanto, tais passagens foram pertinentes. De todo modo, seus questionamentos chegaram ao ponto de pôr em dúvida a plausibilidade (ou a necessidade) de uma chamada “filosofia da linguagem”, pois compreendendo-se a linguagem desde o discurso, e o discurso como algo constitutivamente próprio ao Dasein, na pré-compreensão do Dasein já não estaria compreendida a linguagem, justamente por lhe ser própria? Bem, isso foi o que me pareceu em questão.
À tarde o Colóquio foi deixado por conta das comunicações dos alunos. Algumas delas de altíssimo nível, outras nem tanto. Sempre, entretanto, rápidas, a considerar a limitação dos 20, 25 minutos de duração.
Enfim, pequeno e discreto como o autor da obra homenageada, o evento contou, no dia de hoje, com a participação de poucas pessoas. Mas, afinal, quando é que uma multidão de filósofos funciona, à exceção do Monty Phyton? – Confiram o rápido vídeo abaixo.